Ter um filho vegano – Festividades

Tem sido uma experiência maravilhosa e transformadora, criar um filho vegano, criar um filho com valores de respeito pela natureza, pelos animais e pessoas. Apesar de ter certeza, de que, fazer uma alimentação isenta de produtos animais, é o melhor que podemos fazer pela nossa saúde, pelos animais e pelo planeta, tinha algum receio que o meu filhote, a determinada altura, começasse a insistir em provar alimentos que desconhece ou que, parecidos aos que já comeu, contivessem derivados animais. Frases como “para já é fácil, porque ele é pequenino, tu vais ver quando ele começar a falar, a olhar para as comidas dos outros e a pedir tudo e mais alguma coisa”, foram-me ditas dezenas de vezes. Pois é, com quase 3 anos e meio, o meu filhote compreende perfeitamente que os animais não são comida, que o leite é dos filhos das vacas e os ovos, das galinhas. Nunca insistiu para provar qualquer tipo de produto animal. O meu receio era que ele, ao ver produtos semelhantes a outros que já provou, insistisse em comer na mesma. Mas não, é incrível, basta eu dizer-lhe que contem algo animal e ele esquece imediatamente que aquilo é um alimento, mesmo sendo um bolo semelhante a algum que provou. É impressionante ver na cara dele, como realmente desliga logo, como nunca insistiu. Para ele, se tem algo animal, simplesmente não é comestível.

Neste fim de semana, praticamente não paramos em casa. No sábado, passamos o dia pela vila, entre música, dança, praia e pratos típicos de Páscoa, que ocupavam mesas e mesas, na rua principal da vila. Mesas repletas de doces, enchidos e queijos, nem uma vez ele quis provar fosse o que fosse, nem quando vinham ter com ele e lhe ofereciam amêndoas, chocolates ou bolos. Agora já nem preciso de ser eu a dizer “não, obrigado, ele não come”, ele mesmo é super claro!

No domingo, passamos o dia com familiares, almoço e tarde entre mesas recheadas das coisas do costume. O meu filho, feliz, pedia nêsperas, sopa e arroz, mesmo quando os mais pequenos comiam, ao seu lado, bolos, chouriços e gelados. Não há sofrimento nele, não pensem que está a comer o que come, contido, frustrado e tentado. Ele está em paz, aquilo que está ao lado, não são alimentos para ele, são animais que ele não tem o mínimo desejo de provar. Ele rejeita os produtos animais, não por se sentir controlado ou proibido de alguma forma, mas porque compreende realmente que os animais não são iguais a uma banana ou uma batata. Como ele compreende, é fácil para ele seguir este caminho.

É maravilhoso ter um filho, que está na praia, fica com fome e diz “mamã, vamos comer uma sopa”. A sopa neste momento, é o prato preferido dele, tem pedido assim, de manhã, de tarde, a qualquer hora. As crianças têm fases. Infelizmente, a maioria dos pais não entende isso, e força os filhos a comer umvariadíssimo número de alimentos por dia, sem respeitar jejuns, mono refeições e preferências que se vão alterando com o tempo. Eu sempre respeitei as fases dele, os pedidos rotineiros, as recusas. Confio que ele saiba melhor aquilo de que precisa, porque está mais limpo e sintonizado com os pedidos do corpo dele. Claro que uma criança que come, açúcar, leite, fritos, e é estimulada a comer, desde que acorda, uma mistura vastíssima de alimentos, perde completamente o instinto, e começa a pedir aquilo que é altamente viciante, como o açúcar, o queijo, etc, e perde a capacidade de apreciar alimentos simples, pois está habituado a comer tudo combinado de mil formas.WP_20150404_16_53_38_Pro

A todos os pais que ainda não introduziram alimentação aos bebés, pesquisem sobre Baby Led Weaning. É assim que todos os bebés deveriam começar a comer, em vez de receberem colheradas de papas, frutas cozidas e sopas passadas. Dar oportunidade aos bebés de explorarem sozinhos os alimentos, pegarem, esmagarem, provarem, cuspirem. Sem insistência, sem grandes misturas. Eles SABEM aquilo de que precisam, dêem-lhes oportunidade de mostrar isso. Ofereçam-lhes alimentos adequados, fruta variada crua, deixem-nos brincar, cheirar, atirar, lamber, é assim mesmo! Não existem “filhos chatos para comer”, como ouço tantos pais dizerem. Existem filhos que ainda não estão preparados para alimentação complementar, existem filhos que não querem papas, coisas aquecidas, sopas passadas e que são forçados a comer, com choro, narizes tapados, gritos e chantagem. Claro que a hora de comer passa a ser um momento dramático, as crianças passam a ter uma relação desequilibrada com a comidae tornam-se “chatas para comer”…

E quando me dizem “coitadinho do teu filho, não sabe o que perde”, eu digo-vos “coitadinhos dos vossos, que comem de tudo, perdendo saúde, e contribuindo, sem saber, para a dor e sofrimento de tantos seres”.

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6 comments

  1. Como era bom se todos tivéssemos essa possibilidade de escolha: nascer e crescer veganos, e tornar-se omnívoro apenas quem decidisse por tal. Haveria muito menos carnificina! Eu não tive essa possibilidade, mas espero que um dia os meus filhos cresçam longe da culpa de quem mata para satisfazer a gula.

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  2. Querida Bárbara! Amei este texto. Simplesmente fascinante saber que o teu filho está em paz com as suas escolhas alimentares e compreende o tipo de alimentação que escolheste dar-lhe. O teu respeito e amor pelo teu filho, a tua auto confiança e a total confiança que tens nele são verdadeiras inspirações para todos os que ainda insistem que sabem o que é melhor para os seus filhos e que se recusam a questionar os hábitos e crenças incutidos por muitos desde crianças. Quando for mãe, não tenho dúvidas de que o meu filho será mais uma criança de um novo mundo, tal como o teu – que respeita a natureza, os animais e as pessoas. Muito grata pela partilha da tua sabedoria e grande sensibilidade por tudo e por todos.<3

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