Animais: eu vejo-vos.

Dediquem uns minutos a olhar nos olhos de um animal. Pode ser uma galinha em casa de familiares, uma vaca num campo, um passarinho numa gaiola, um cão, um gato. Abram o vosso coração e permitam-se olhar, olhar para dentro dos olhos dessa criatura. Não desviem o olhar se começarem a ficar irrequietos ou desconfortáveis. Olhem, olhem mais uns momentos, até sentirem que os olhos que vos olham, não são diferentes dos vossos, até sentirem que aquele olhar, tal como o vosso, é carregado de força de viver, medos, desejo de conforto e alimento. Nós somos mais parecidos do que diferentes. Todos somos Animais.

Achamos que, por termos mais força do que uma galinha, temos direito de decidir em que dia ela morre. Colocamo-la à venda, numa feira, entre couves e batatas, damos-lhe um preço e entregamo-la a alguém, sem pensar um segundo, no que aquela pessoa vai fazer com aquela vida. Conseguem perceber que a galinha que atiram para um saco (como eu vi tantas vezes), sente terror exactamente como vós? “É só uma galinha”, NÃO, NÃO é “só” uma galinha. É uma galinha com a vida DELA. A galinha tem direito a esgravatar a terra, a apanhar sol e a morrer naturalmente.

Acariciam o cão que têm em casa, compram-lhe uma cama e uma coleira com o nome, mas decidem que o jantar é coelho. Um coelho, peludo e fofinho, como aquele coelhinho de peluche no quarto dos vossos filhos. Um coelho, um animal que teve pais, que engravida, que gera vida, que dá de mamar, que corre, que dorme, que brinca. Um coelho que não desejou, nem por um segundo, morrer naquele dia…

Que alegria vão buscar ao canário que canta enjaulado? Como retiram ao passarinho, aquilo que o define como pássaro?? Como se sentem no direito de ter em casa um prisioneiro entre grades, só porque gostam do som do seu piar? Tenho a certeza que se ouvissem o que o piar realmente vos diz, muitos se ajoelhariam e pediriam perdão. Dizem “estava à venda, já não poderia ser solto”, mas se o compram, mais e mais passarinhos são vendidos para esse fim, e mais música triste levam a casa de gente infeliz.

Decidem que uma vaca, deve servir para vos dar carne, para vos dar leite, para vos dar a pele, os ossos e os tendões. Decidem que vos é útil, que vos dá jeito, que vos agrada o paladar e isso, então, dá-vos o direito de escolher o dia em que ela morre. Ignoram os ruídos que faz, o sangre que jorra, o desespero que mostram ao serem separadas dos filhos e dos pais, ignoram o coração que acelera, ignoram as feridas, ignoram os espasmos, ignoram toda a dignidade que existe naquela vida. Aquele animal, lindo e poderoso, com o olhar mais terno que já vi, passa a ser invisível, por mais que se contorça, berre e tente fugir. Para vocês, ele não morreu no dia em que o mataram, ele morreu no dia em que decidiram qual seria o fim dele.

Pobres animais que vivem vidas invisíveis em casas, matadouros, campos, grades, jaulas, aquários, casotas, varandas, laboratórios, circos…

animais

Cada passo que dou neste Planeta, tem a força dos vossos passos gravados em mim. E cada sopro que sai da minha boca, ajuda a dissipar a sombra que impede os outros de vos verem…

(Perdoem-me ter estado cega durante tanto tempo…)

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5 comments

  1. Estou com lagrimas nos olhos depois de ler este texto. Sinto-me grata. Grata por alguem me ter falado no veganismo. Grata por haver pessoas como a Barbara que lutam pelos direitos dos Animais. Grata pelas fontes de informacao sobre veganismo a que tive acesso.

    Perdoem-me Animais. Perdoa-me Natureza. Perdoem-me por nao ter aberto os olhos mais cedo. As vezes fico triste por nao conseguir espalhar a mensagem de amor do veganismo pelos meus amigos e familiares, mas depois lembro-me que eu tambem so me tornei vegana aos 24 anos. Por isso, eu tenho esperanca! Para mim, um mundo vegano nao e uma utopia, e a solucao para a Humanidade e para o Planeta!

    Obrigada Barbara! Muita forca! Muitos parabens pelo blog e pelo seu testemunho, tao inspirador!

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  2. Amor, luz e compaixão.
    E justiça. Justiça Universal.
    Grato pela partilha.
    Não estás sozinha.
    Os animais não estão sozinhos.
    Estamos cá.
    Também demorei a perceber o óbvio (34 anos).
    Mas entendi e fiz a ligação.
    E sei que nada que faça será algum dia suficiente para ter perdão.
    Todavia, isso não é impeditivo de fazer tudo o que possa para não voltar a participar no horror e holocausto animal.
    Vegan – pelas Pessoas, pelos Animais, pela Natureza.

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