Violência com violência NÃO se paga

Este caso das jovens que bateram no miúdo (eu não vi o vídeo, nem quero ver!), mais uma vez, vem confirmar a minha certeza, de que somos adultos muito mal amados. Não, não falo só das agressoras directas, e de quem filmou e incentivou, mas de todos aqueles que, confrontados com as imagens, apontam o dedo, e mostram que são tão agressores quanto eles, chamando-lhes nomes, e decidindo uma pena automática, sem perdão, sem misericórdia.

Deixem-me já sublinhar bem sublinhado, que concordo que é errado, horrível, atroz, tudo o que aconteceu! Mas, quem sou eu para dizer que é imperdoável? Quem sou eu para dizer que elas merecem sofrer, sendo violentadas?? Acham mesmo que humilhar publicamente estes agressores, iria fazê-los entender o erro que cometeram? Acham que a dor sentida na pele, dá automaticamente um entendimento profundo sobre a dor alheia?

Muitos dos que gritam por vingança, são pais. Já li coisas como “Elas deviam ter apanhado mais dos pais” ou “Se fossem minhas filhas, iam ver”. Como podem julgar o que elas fizeram, e agredirem os vossos filhos? Como levantam o dedo impiedoso a meia dúzia de adolescentes, quando usam essa mão com força, no corpo dos vossos filhos? Por acaso vocês dão oportunidade aos vossos filhos de se defenderem? Ou ficam ainda mais revoltados se eles se defendem e contra-atacam? Como podem achar que o que elas fizeram é horrível, e não verem que o que fazem nas vossas casas, é horrível também?

Aqui está a velha história: violência entre jovens é condenável, violência entre marido e mulher é condenável, mas violência contra crianças, é educação. Achar que, punir uma criança, castigando-a e batendo-lhe, a torna passiva e inofensiva, é ignorar uma grande parte da complexidade psicológica humana. Pensamos que estes adolescentes são horríveis, porque vimos um vídeo, mas e aqueles que propagam a violência de tantas outras formas? Os que, revoltados, maltratam os animais? Os que, humilhados, se auto-mutilam? Os que, rebaixados, vomitam a comida?

Com violência, perpetua-se a violência, e a violência tem muitos meandros, uns claros, outros escondidos, uns óbvios, outros refinados. Não há bondade na violência, não há empatia na violência. Violência gera violência.

A paz tem de se trabalhar desde a raiz. É aí que está a solução. Se esse trabalho não for feito, é muito mais difícil exigir empatia de alguém, é muito mais difícil chegar ao coração daqueles que se protegeram com mil camadas. Se somos agredidos por aqueles que supostamente mais nos amam, como podemos entender claramente, que a violência é errada?

A violência é sempre feia, e se gritamos por vingança, só estamos a perpetuá-la…

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