O mergulho emocional dum detox

Muitas pessoas não entendem estes processos de detox e acham que, quem embarca neles, o faz obrigatoriamente, por obsessão, narcisismo ou hipocondria. Não entendem que o amor-próprio nos leva a querer o melhor para nós. Mas cuidar de nós, não depende apenas das limpezas alimentares. Não acredito que alguém muito infeliz, com um trabalho que odeia e um marido que não suporta, consiga curar-se da melhor forma, se só se focar na comida, e ignorar o resto. Há sempre várias pontas da estrela.

Eu aqui no blog foco-me muito na alimentação, nas limpezas de toxinas, de mucosidades, mas a nossa Saúde não é apenas física, conectada ao que comemos, ao que colocamos na pele, a nossa Saúde está conectada às nossas emoções, aos nossos pensamentos (medos, etc).  Está tudo ligado, e quando nos propomos a explorar, a fundo, uma das pontas da nossa cura, ela puxa pelas outras. Quando nos decidimos a melhorar a nossa alimentação, ouvimos o grito de cada emoção, que quer ser explorada também. Esse é dos lados do processo que tem sido mais complicado para mim. Lido bem com a limpeza física, com as partes mais feias e nojentas, mas a parte emocional destas limpezas, é bem desafiante para mim.

Quando nos decidimos a mergulhar num jejum, numa limpeza que vai a cada cantinho de nós, não estamos preparados para que os cantinhos visitados, não sejam apenas os físicos, os das porcarias que escondemos nas dobras intestinais ou nos alvéolos pulmonares. Por mais que possamos ler/falar sobre isto, vai custar, vai doer, vai abalar-nos!

Se dentro de ti escondeste coisas do teu passado de que te arrependes, de que te culpas, acredita, se fizeres um jejum, vais ter que revê-las, uma a uma. Se dentro de ti escondes caras que te assombraram, vais encontrar-te com cada uma delas. Se dentro de ti camuflaste vivências, se as disfarçaste com contos do teu imaginários, vais aperceber-te do que é real e do que é mentira.

Se queres ir mesmo a fundo num processo, vais mesmo a fundo. Quando uma pessoa se dedica a explorar a sua sexualidade, por exemplo, ela não vai apenas descobrir técnicas, ou diferentes tipos de orgasmo, esse mergulho profundo vai trazer o resto à tona, vai trazer sombras, vai trazer rastos, vai trazer lágrimas. Uma pessoa que mergulha num desporto de intensidade, não descobre apenas a dor muscular, o sangue, ou os calos, descobre memórias, rancores e vinganças adormecidas. Cada mergulho destes, obriga-nos a explorar mais e mais daquilo que somos. Desenganem-se aqueles que acham que podem focar-se a fundo, só numa das pontas de si mesmo, ignorando as outras. Se queres ir fundo, qualquer que tenha sido o teu foco, ele vai-te levar a outros lados de ti.

Dizia-te que te prepares, mas nada te prepara para isto… Só vivendo, só mergulhando… 

Há pouco mais dum mês, iniciei uma limpeza com sumos, fi-la durante 15 dias. Pretendo fazer amanhã, segunda-feira, jejum, só com água. Depois decido se paro às 24h ou se prolongo para 48h. Após o jejum, farei então os dias que conseguir, só com fruta, inteira ou sumos (ainda vou decidir)

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One comment

  1. No meu primeiro (e único) jejum de água, foi, também, atrás disso que fui.
    Tinha o tempo, a determinação e a inconsciência (fi-lo sozinho, sem ponderar, por exemplo, a hipótese de ter uma hipoglicemia grave, de me sentir mal e não conseguir pedir ajuda).
    À falta de uma selva luxuriante no equador, serviu a minha casa, o quarto, muitos garrafões de água.
    Os primeiros dois dias, quando supostamente se tem mais fome, passaram-se quase na totalidade a dormir. Alguma fome ligeira (que passava com um copo de água e qualquer coisa q distraisse a atenção- abençoado YouTube- até ao quarto dia. Daí até ao décimo (depois as férias acabavam e tinha de voltar ao trabalho) apenas a sensação de um pouco menos de energia, ou de cansaço mais fácil (e muita perda de peso).
    Quero acreditar que pelo menos a nível físico serviu para limpar o corpo de muita porcaria (fez parte da minha transição de vegetariano a vegano), mas tirando isso nenhuma “revelação” espiritual, nenhum acesso súbito de insights ou clarificação súbita de bagagem emocional.
    Ficou a certeza de que, de facto, o nosso corpo se adapta e sobrevive a muito mais do que o achamos capaz.

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