Eu no Passado, eu no Futuro, eu no Agora

A arte de viver no Agora, não esperar nada de ninguém, não ter saudades e ânsias, deve ser uma arte de muito poucos. Não sei se uma vida inteira me vai conseguir fazer viver só no Agora. É muito fácil aconselhar alguém “vive no Agora, conecta-te ao Agora, não planeies, não esperes”, mas na prática, quantos de nós estão aqui e só aqui? Quem se apaixona e não espera nada? Quem não anseia corpo, voz, toque? É humano. É errado ansiar? O perigo está em acreditar, criar expectativas, mas ansiar parece-me natural, cru, real e algo que vale a pena experimentar.

Não posso negar que eu sempre vivi com um pé no passado e outro no futuro. Quando vivo algo intenso, passo muito tempo dedicada a reviver cada momento dessa intensidade. Tenho-me dado conta desta característica minha e acho que é cada vez mais vincada, ou pelo menos, cada vez capto melhor ou roubo melhor, a intensidade daquilo que vivi. Se conheço alguém e temos uma química incrível, parte dos meus dias são passados a reviver mental, física e emocionalmente as sensações que criamos juntos (às vezes no próprio dia). Fecho os olhos, ouço certas músicas, danço, toco-me, vou a certos lugares, mergulho nesse passado e vivo nele, novamente. Resgato sempre tudo que há para resgatar duma experiência que foi intensa. Daí eu gostar de escrever sobre ela, para poder lembrar-me de detalhes que trazem a experiência à luz novamente, de forma mais completa. Se a experiência foi mesmo boa, consigo revivê-la mesmo passados anos, com a música certa ou a disposição certa. No passado, eu mergulho, sinto-me nadar num rio.

A minha relação com o futuro é mais saudável hoje em dia. Antes eu imaginava mil cenários para o amanhã e acreditava neles, ao ponto de tremer, ao ponto de evitar situações, ao ponto de me preparar para algo que era puramente mental. Hoje consigo perfeitamente perceber que a minha cabeça é super fantasista, que cá dentro há mil Universos e que faz parte de mim imaginar todo o tipo de drama, comédia ou terror. Hoje percebo isso facilmente e desligo-me da associação. Vejo a construção mental, mas não acredito nela, apenas assisto. No futuro, atiro-me dum penhasco, voo, pairo, rodopio no ar…

Se me focar, estou aqui e só aqui, agora, já, não há medo de nada, nem ânsia, nem castelos de areia. Mas eu não consigo focar-me sempre, eu desejo as horas seguintes, desejo os beijos seguintes, desejo-te a ti… Não há forma de viver a paixão, sem querer mais, mais toque, mais olhares, mais amanhãs…

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