Danos colaterais

Por mais que tentemos viver a vida de forma transparente e justa, há sempre alguém que sai magoado, chateado ou revoltado com as nossas opções. Não somos donos dos sentimentos dos outros, eles têm expectativas e emoções que não podemos controlar. Nada vai impedir que os outros se agarrem a ilusões e dramas, e que se desiludam, caiam e espantem com as nossas acções.

Confesso que para mim é difícil, isto de relaxar sem me preocupar com o sofrimento dos outros. Quem olha para a minha vida, vai possivelmente achar que isto não é verdade, que eu simplesmente faço o que me apetece, me borrifando para as consequências. Sim, é verdade que faço o que me apetece, e não deixo de fazer, só porque mentes fechadas, tradições e vidas infelizes me gritam que não devia ir por ali, mas isso não impede que me toque a reacção dos outros. O sofrimento, mesmo quando é gerado por preconceitos, medos e desgostos que impedem os sonhos de serem sonhados, atinge-me. Só que, se antes me afligia ao ponto de me desculpar e moldar as minhas decisões, hoje não. Continuo a gostar de justificar, continuo a ser aquela que toma uma decisão e procura os feridos para lhes curar, ou pelo menos, acalmar as feridas, mas hoje sei mais, hoje sei que o que faço não é maldoso, não é criminoso, é nascido de boas partes de mim, e sei que me culpei demais por apenas ter seguido o meu coração. Se algum dia vou conseguir ignorar as consequências no outro? Não me parece. Preocupar-me com o impacto que vou causar parece-me legítimo, mas mudar o curso da minha vida, recusar-me a viver o que o meu coração grita que viva por causa de construções mentais que não são minhas, não.

Eu não tenho culpa nenhuma dos castelos de cartas que outros constroem repetidamente à espera que nenhum sopro os derrube. Eu sopro… Eu sopro com força. Eu abro a boca, e o que sai é cru, tem impacto. Eu não finjo, eu não escondo, eu não sussurro. Eu grito, eu expludo! Eu não me seguro só porque o que vou dizer é diferente do que estão habituados a ouvir. Eu nem vos aviso, eu jorro sem pudor. Eu não ando em bicos de pés, eu caminho e abano o chão. Eu não toco em ti como se fosse uma brisa, eu toco-te e queimo-te, a tua pele cai, a tua pele renova e eu volto a queimar-te.

Eu vou SEMPRE ousar… O peso de saber que me julgam e a visão dos dedos apontados na minha direcção, é tão mais leve do que o peso de viver uma vida que não quero viver, só para ser invisível. Lido melhor com o peso das palavras feias, do que o peso duma vida fingida ou vivida pela metade. É impossível eu viver a vida assim, a vida a meio desejo, a meio sonho, a meio beijo. Eu vou amar quem quero amar (vou amar partes de ti que nem sonhavas que existiam), vou viajar onde a minha mente e o meu corpo quiserem ir, vou vestir-me e despir-me como e quando me apetecer, vou permitir-me sonhar alto, muito alto, só para depois me atirar lá de cima e sentir a adrenalina no meu corpo…

Eu vou ser eu, sempre, mesmo que isso te doa…

Anúncios

Grata pelo feedback

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s