Os meandros da paixão

Eu sou adepta dos olhares que queimam, do toque subtil e do ousado, do tremer, do encostar na parede, das mãos no cabelo, do beijo que sufoca e dos lábios que apenas roçam nos meus, sou ligada a todas essas sensações que latejam quando dois seres se encontram e ardem juntos. É verdade, sinto-me especialmente empoderada quando estou apaixonada.

Com a incrível experiência de se estar apaixonado, vem o grande risco de nos anularmos e de atropelarmos muito daquilo que defendemos. Sim, é mesmo assim, às vezes a paixão emburrece-nos. Falamos em liberdade, respeito, espaço, mas quando estamos apaixonados queremos prisão a dois, queremos que o mundo todo pare e nada mais exista. Queremos consumir a pessoa, queremos torná-la nossa, queremos que ela respire quando está connosco e pare de respirar quando não está. No meio da paixão, encontramos o outro e perdemos um pouco de nós. Na paixão, descemos das nuvens ao inferno e subimos do inferno aos céus, em segundos. Este sobe e desce que nos esgota, mas que nos faz adorar esta exaustão febril…

Começo, finalmente, a ver-ME por trás deste fogo todo (quando antes, na paixão, só conseguia ver o outro), e a entender que perder esta ânsia (quase)desesperada, não tem de significar obrigatoriamente, apagar completamente a chama. É como se até aqui, eu achasse que paixão só é paixão quando vivida durante todas as horas do dia, os dois, colados, molhados, esgotados. Para mim, paixão era essa sofreguidão apenas, essa sofreguidão que traz sempre o medo de que tudo se acabe. Por mais que o outro corresponda, dê, diga, essa sofreguidão duvida, teme, pressiona, encosta.

Agora sinto que é possível sentir uma atracção tremenda, cheia de tremores e borboletas, sem esta loucura sufocante constante, todos os minutos do dia, que me tira a capacidade de raciocinar. É possível ter momentos de loucura cega, intercalados com momentos de sanidade plena. Então, quando o que se sente é amor, um amor que dança com o fogo, que se entrelaça com ele, um amor que aceita esse fogo sem o querer apagar, e um fogo que, mesmo quando é impossibilitado de alastrar, continua presente nos olhos de ambos, aí tudo é perfeito (tu, comigo, és perfeito)

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One comment

  1. Bem! 😉 isso é parte do processo! Parte Boa! 😉 todo o resto vem por acrescimo. Vem por acrescimo o desejo de ver o outro crescer,valorizar-se e de crescer-mos e nos valorizar-mos tb,vem por acrescimo,pensar o outro e deixar o igoísmo de lado,vem por acrescimo,viver intensamente esse desjo de partilhar a vida e tudo o que ela representa,do sorriso mais intimo,a sintonia,ao abraço suave que aconchega quando as lagrima teimam em percorrer no mundo! E muito mais para dizer,mas isso Amiga,só se partilha a viver… 😉 Feliz por Ti 😉

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