O buraco do sonho que (ainda) não aconteceu

Segundos, minutos, horas, dias, semanas, anos que perdemos dentro dos nossos medos. Perdemos vidas dentro da vida a lamentar o que não somos, o que não temos, o que não vivemos, o que não conseguimos. Porque é tão fácil para nós a queixa, o lamento, a crítica, e tão difícil a ousadia, a tentativa, a entrega?

Vivemos com a presença deste buraco no peito, escavado por sonhos que não aconteceram. Está ali, sempre! O buraco daquilo que não temos, do amor que não vivemos, dos passos que não demos. E o buraco pesa cada vez mais, porque não vibram só os sonhos no peito, mas também, colado a eles, vibra o medo de não os realizarmos e vive a desilusão de algo que nunca poderá ser. Mal o sonho nasce, condenamo-lo a falhar… O nosso sonho não é um sonho, mas uma promessa de pesadelo.

Damos atenção demais ao feio, ao atroz, gravamos na nossa mente imagens de terror, de dor, e com isso criamos mais e mais armaduras, criamos mais e mais máscaras para nos protegermos daquilo que poderia acontecer caso tentássemos (ninguém sabe…). Apegamo-nos com tanta facilidade ao que é negativo, ao que nos limita e incapacita. É tão fácil acreditarmos em quem nos diz “não consegues”, é tão fácil concordar com quem nos diz “isso não é possível”.

É mais fácil lidar com o buraco no peito, do que acreditar que é possível, e aí ousar, tropeçar, esfolar os joelhos e continuar. Preferimos sentir o buraco de algo não tentado, do que termos a ousadia de esticar o braço e tocar no sonho. Porquê? Que vida é esta que nos intoxica a mente de medos e fraquezas e nos impede de transformar o desejado no concretizado? Que conforto é esse que encontramos no desconforto daquilo que nunca teremos?

Hoje eu prefiro ter os joelhos esfolados e ver no chão os estilhaços do sonho que foi tentado, do que viver com a presença do sonho que nunca foi mais do que isso. Porque mesmo com feridas e cansaço, há o doce sorriso rasgado pela audácia, pela valentia e pela coragem. E é esse sorriso, que ao abrir na minha cara, fecha também o buraco do sonho que deixou de o ser…

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