Querido (Pai) Natal

Sim, é verdade, guardo no coração várias historias felizes das noites em que esperava pela tua chegada. Mas fui crescendo e fui-me apercebendo de que não era de ti que gostava. Não acho graça à tua roupa, à tua barba, ao teu estilo, nem sequer ao teu Ho Ho Ho. Não há assim nada em ti que me atraia, a não ser a ideia de que dentro do teu saco vermelho possa existir alguma coisa que deseje no momento. Yup, tenho de admitir, sou interesseira. Nunca quis realmente o teu colo, ou conversar contigo, nunca tive especial prazer em cruzar-me contigo na rua (e detesto essa mania insuportável que tens de aparecer em vários sítios ao mesmo tempo). O que sinto por ti passou duma ilusão de amor, na infância, para uma indiferença, na adolescência, e agora é mais um nojinho, desculpa.

Esta ideia de um ser omnipresente, eterno vigilante das criancinhas, pronto a premiar ou castigar comportamentos, esta mistura de Deus, juiz, dono de uma fábrica, mágico e avô… desagrada-me.

O ambiente do Natal tem alguma graça, a música na rua, as luzes, a decoração. Andar a correr cafés, ver amigos que não vemos no resto do ano, reunir familiares que nem sempre estão presentes é bonito. Só por isso, o Natal já vale alguma coisa. E pronto, depois dá nisto, dá nesta mistura de sentires. Num momento sinto-me confortável e minimamente natalícia, noutros começa-me a crescer um incómodo difícil de ignorar, com todo o consumismo e falsidade… no dia 25 somos todos uma família, no dia 26, até para o ano.

Não sou muito adepta das celebrações com data marcada, do Natal, da Passagem de ano, do Carnaval, mas sou muito, muito a favor das celebrações sem data fixa, só porque sim! Juntar amigos, fazer um jantar, rir, dançar, partilhar, dar um presente, brindar, só porque sim. A celebração da vida, a celebração daquilo que somos, a celebração do amor que sentimos, essa celebração, sim, é real para mim. Estou feliz, quero celebrar, estou triste, quero celebrar! Não preciso esperar que chegue x dia, quero que seja hoje e pronto.

Eu sou mulher todos os dias – não preciso dum dia do ano que celebre aquilo que sou sempre.

Eu amo-te todos os dias – não preciso do dia dos namorados para te elogiar.

Todos os dias o meu filho me dá motivos para festejar – não preciso de esperar que faça anos.

Não digo que não comemorem o Natal, o Carnaval, a Páscoa ou outra data fixa qualquer, mas lembrem-se de vocês e dos outros, nos outros dias do ano, pois é nesses dias que somos mais daquilo que somos.

Comemoremos a nossa beleza, a nossa originalidade, os nossos talentos, hoje, amanhã, numa segunda-feira ou num domingo, só porque sim. Cada pedacinho daquilo que somos, é digno de se organizar uma festa!!

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